quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

11000 justos.

*Artigo publicado na edição 2049 da revista Veja. Por J.R. Guzzo.

Em casos em que fica demonstrado o mau uso de dinheiro público existe, pelo mundo afora, um entendimento básico. As autoridades encarregadas de lidar com esse dinheiro têm ou não têm responsabilidade pelo que aconteceu de ilegal e, de acordo com a alternativa que for comprovada entre essas duas, são culpadas ou são inocentes. Se são culpadas, não são inocentes. Se são inocentes, não são culpadas. No Brasil, os governos têm uma abordagem diferente para esse tipo de coisa. Aqui, em casos semelhantes, não há inocentes nem culpados. Culpa sempre existe, é claro, já que o dinheiro do Erário não sai por aí se gastando sozinho. Mas as autoridades dão a questão por resolvida com um raciocínio que, tirando o palavrório habitual, sustenta o seguinte: "Algo lamentavelmente errado aconteceu, mas a culpa não é de ninguém – e principalmente não é nossa".


O poder público brasileiro, com o tempo, tem conseguido resultados notáveis no aperfeiçoamento desse sistema. Desenvolveu, por exemplo, o conceito segundo o qual a pessoa é inocente mesmo quando é culpada. A personagem-símbolo desse entendimento é a ex-ministra Matilde Ribeiro, musa no atual espetáculo estrelado pelos cartões de crédito do governo federal até ser superada pelo barulho contínuo de episódios mais interessantes e mais graúdos que o dela. Matilde, como se sabe, foi demitida do cargo, o que faria supor que é culpada – mas sai com uma declaração de que é inocente, já que o governo e seu partido garantem que ela realizou um trabalho "brilhante". Outra novidade, também aplicada às situações sem esperança como a dela, é a teoria do "erro administrativo". O dinheiro do público foi gasto em benefício pessoal? Sim, mas foi só um "erro administrativo" – como se o responsável tivesse assinado um despacho em seis vias, quando o certo seria assinar em sete. Muito avanço se obteve, enfim, na utilização desse sistema todo como arma de ataque e não apenas de defesa. Seu recurso mais comum, empregado em praticamente 100% das denúncias feitas contra o governo, é dizer que qualquer malfeitoria ora em apreciação já foi praticada antes e já foi praticada por outros, sobretudo pelos adversários. Qual é o problema, então? Sombriamente, pergunta-se "a quem interessa" a divulgação das denúncias.


É lógico que, quando as coisas ficam assim, vai se colher cada vez mais do mesmo. O Brasil seria um país de sorte se esse modelo de gestão pelo qual a propriedade do patrimônio público é do estado, mas o seu usufruto é privado, se limitasse aos 78 milhões de reais que o governo federal gasta por ano em seus cartões corporativos. A festa se espalha, hoje em dia, por governos dos estados e municípios, pelo Judiciário e pelo Legislativo. Para enriquecer a lista surgiu de repente a universidade, e, mais precisamente, a Universidade de Brasília. Ali o reitor Timothy Mulholland foi capaz de gastar 470.000 reais de dinheiro público, incluindo-se nesse total um espetacular saca-rolhas de 859 reais, na redecoração do seu "apartamento funcional". O mais interessante, no caso, não é o montante, nem mesmo o saca-rolhas; é a oportunidade de observar de que maneira funciona a cabeça de funcionários do estado como o reitor da UNB. Para ele, as despesas feitas no apartamento deixam muito bem impressionados os sábios de peso mundial convidados a Brasília, e, com isso, a ciência brasileira ganha prestígio. Ao ouvir suas explicações, vem a dúvida: será que o homem está falando sério? Logo fica claro, infelizmente, que está.


Tanto a oposição como o governo, além de muita gente de bem, têm passado os últimos dias defendendo o uso dos cartões do governo. Para a oposição, o problema está nas pessoas que os utilizam no momento; se e quando chegar ao governo, trocará todas elas por funcionários virtuosos e a situação ficará resolvida. Para o governo, o problema está em falhas nos controles, que naturalmente serão corrigidas a partir de agora – não se sabendo, nesse caso, por que passaram cinco anos sem ser percebidas. A primeira atitude é uma lenda. Sua receita só pode dar certo se, uma vez chegando lá, a oposição distribuir os cartões a 11.000 justos. E quem seria capaz de encontrar 11.000 justos de uma vez só? Nada comprova isso tão bem, justamente, quanto o sucedido com o PT, que prometia eliminar a corrupção no Brasil com a simples colocação da companheirada no governo; o resultado está aí. A segunda merece tanto crédito quanto a primeira. Controles sobre o uso de cartões são perfeitamente conhecidos, há décadas, por toda organização gerida com um mínimo de prudência. Mas só funcionam por uma razão: não são escritos pelos funcionários que serão controlados por eles.


Pessoas e intenções podem ser muito boas, mas a experiência comprova que nada é mais eficaz para combater o pecado do que eliminar a tentação. Não dá para fazer isso o tempo todo e em tudo. Mas, quando dá, o resultado sempre acaba aparecendo. Deixou de existir qualquer vestígio de corrupção nos bancos estaduais, para ficar num exemplo só, porque deixaram de existir os bancos estaduais. O resto é muita CPI e nenhuma mudança.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Um tesouro de família


*Reportagem retirada da edição 2049 da revista Veja.


Imagens feitas por filhos e neto de Marc Ferrez mostram novos ângulos do Brasil do século XX

Entre os pioneiros da fotografia no Brasil, o nome mais conhecido e a obra mais monumental são de Marc Ferrez (1843-1923). Seu acervo, conservado durante décadas por sua família, pertence hoje ao Instituto Moreira Salles. Agora, os Ferrez voltam à cena, com uma exposição de preciosidades garimpadas em outro acervo, que permanecia guardado em família e foi doado no ano passado ao Arquivo Nacional: as 8.000 imagens registradas pelos filhos do fotógrafo, Júlio e Luciano, e por um de seus netos, Gilberto. São fotografias inéditas, de alta qualidade técnica e excelente estado de conservação, que mostram paisagens urbanas e cenas do cotidiano do Brasil e do exterior entre 1910 e 1950. Um retrato precioso de uma época pouco estudada, na qual apenas um nome se destaca fora dos círculos especializados: o de Augusto Malta, fotógrafo da prefeitura do Rio de Janeiro entre 1903 e 1936.
A exposição, que reúne 396 imagens da lavra de Júlio, Luciano e Gilberto Ferrez, tem curadoria de Pedro Karp Vasquez, grande estudioso da fotografia brasileira. Será inaugurada nesta semana no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, e em data ainda a ser definida segue para São Paulo. Ela revela talentos que tinham na fotografia uma atividade intensa, embora secundária. Júlio, que assim como Luciano trabalhava no ramo de distribuição de filmes, chegou a publicar um manual para fotógrafos não profissionais, O Amador Photographo, em 1905. Gilberto Ferrez, que se notabilizou como pesquisador de história da fotografia, desde os 18 anos não saía de casa sem uma câmera.


No período retratado, a linguagem fotográfica passava por grande transformação, provocada pelo avanço da tecnologia. Os pioneiros da fotografia trabalhavam com trambolhos de 5 quilos, que exigiam acessórios de peso três vezes maior. A partir da virada do século XX, esses equipamentos foram sendo gradualmente substituídos por máquinas mais leves e versáteis. Nos anos 20, já havia modelos de menos de 1 quilo, que permitiam fotos com a câmera na mão e maior mobilidade. Graças a isso, perdeu espaço o fotógrafo de câmera e tripé, especializado em imagens posadas. Essa mudança, associada aos filmes em rolo, que substituíram as pesadas chapas de vidro, favoreceu o desenvolvimento da fotografia amadora, que registrava o cotidiano sob um viés mais espontâneo. "Começam a surgir fotos feitas informalmente, no seio da família ou durante viagens. E os Ferrez vivenciaram essa transformação dentro de casa", diz Sérgio Burgi, coordenador de fotografia do Instituto Moreira Salles.
Outro aspecto importante do acervo é que ele registra as muitas transformações urbanas do Brasil da época. A cidade do Rio de Janeiro, então capital federal, passou por duas grandes reformas. A primeira, mais conhecida, foi a do prefeito Pereira Passos, em nome de uma modernização urbanística. A segunda começou nos anos 1930, pela mão do prefeito Henrique Dodsworth, responsável, entre outras grandes obras, pela abertura da Avenida Presidente Vargas. Além do Rio, há imagens preciosas de monumentos na Bahia, Pernambuco, São Paulo e Minas Gerais na primeira metade do século passado. O legado de Marc Ferrez para a fotografia brasileira é considerado, há muito tempo, um dos mais significativos da história. Vê-se agora que, direta ou indiretamente, sua contribuição foi ainda maior.


**A foto de Luciano Ferrez mostra um panorama de São Conrado, em 1933: praia deserta e a favela da Rocinha nascendo ao fundo

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

0x0 bom?

O segundo confronto do clube celeste pela Taça Libertadores da América terminou empatado em 0x0, no jogo contra o San Lorenza, da Argentina. Muitos dizem que empatar fora de casa pelo torneio sulamericano é um ótimo resultado. Eu discordo. O San Lorenzo não havia vencido nenhuma partida esse ano, sequer feito um gol.

O time mineiro não fez um bom jogo, pelo contrário. Wágner, apagado, saiu no intervalo. Fábio salvou o time, com uma defesa incrível! O próximo adversário deve ser o mais difícil do grupo, por incrível que pareça. O Caracas (sim, da Venezuela!) venceu o time argentino por 2x0 pela primeira rodada. O Cruzeiro não pode se intimidar com isso, deve mostrar que veio para ganhar, que entrou no torneio para ser Tri-Campeão. O time tem tradição, e é muito respeitado na América. Mas não pode se deixar levar por isso, deve mostra em campo, que é onde se decide o jogo.

Começamos bem o ano. São 7 jogos, com apenas um empate (ontem) e seis vitórias. Se quisermos melhorar em relação ao ano passado, devemos levar todas as partidas a sério.

Vamos lá Cruzeirão! Rumo ao Tri!

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Adeus Fidel...

Demorou, mas finalmente aconteceu. Fidel Castro, ditador cubano que governou por quase 50 anos, renunciou. E já não era sem tempo, se levarmos em conta que desde meados de 2006 ele governava o país de moletom, em sua cadeira de balanço.

Na década de 1950, Fidel Castro livrou os cubanos de uma ditadura (Fulgêncio Batista), para iniciar outra. Ninguém acreditava que duraria tanto tempo assim. Foram 5 décadas de agonia para a maioria da população, tendo em vista a falta de liberdade que possuíam. Os defensores do "Comandante" dirão que "Cuba exibe altos índices de desenvolvimento humano". Errado. Isso até pode ter acontecido no passado, mas, desde o fim da Guerra Fria e da União Soviética, a pequena Ilha agoniza de tanta pobreza. E não custa nada lembrar que os EUA contribuem de certa forma para isso, já que Cuba ainda vive sob embargo comercial.

Fidel Castro e Che Guevara são heróis do passado (heróis para os comunistas, claro). Hoje, não há mais espaço para isso. Não que eu concorde com Fukuyama ("O fim da História), mas as nações precisam se adequar a essa economia de mercado, se não quiserem ficar para trás. Cuba deveria aproveitar os bons índices de educação que possui, e investir nesse capital humano. Assim, poderá triunfar nesse III milênio. Não é uma tarefa fácil, pois a economia local não é muito diferente da época da Revolução, quando o país vivia da exportação de açúcar e tabaco.

O poder agora está nas mãos de Raúl Castro, irmão do "Comandante". É bem possível que continue com a atual política 'castrista', ao invés de caminhar rumo a democracia e ao desenvolvimento. De longe, só nos resta torcer para o bem do povo, que é quem mais sofre com toda essa bagunça.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Vou-me embora para Finlândia!

Não que eu seja amigo do rei (na verdade a Finlândia é uma República, mas não poderia perder a piadinha...), mas pelo fato da nobre profissão de Educador ser tão respeitada. O prestígio é tão grande, que é a carreira mais desejada pelos estudantes do Ensino Médio. Estaria louco, este que escreve?! Não... felizmente não.

A partir dos anos 1970, houve um investimento muito grande em educação na pequena nação escandinava. 99% das escolas são públicas, e 100% dos professores do Ensino Fundamental possuem mestrado. Sim, é um pré-requisito para quem deseja seguir a profissão. Esse investimento não serve apenas para aumentar o salário dos mestres (que é de US$31,785 - média anual), mas para que sejam muito bem preparados para a arte de ensinar. O reflexo disso está no resultado obtido pelo país na última avaliação feita pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em 2006: 1° lugar geral (1° em Ciências e Matemática e 2° em Leitura). Sim, o Brasil participou dessa avaliação, e ocupou essas honrosas colocações: 52° em Ciências, 53° em Matemática e 48° em Leitura, entre 57 países participantes. Na Finlândia, os alunos permanecem muito mais tempo em sala, estudando em média 6,5 horas por dia. E o gasto público em Educação alcança 6,1% do PIB, contra 3,9% no Brasil.

Por falar em Brasil... aqui, podemos dizer que não existe Política Pública para Educação. Menos de 50% dos professores são concursados, enquanto a maioria leciona por meio de contratos temporários. O que tem de mal nisso, alguém poderia perguntar. Acontece que apenas os professores concursados participam das reciclagens, das especializações oferecidas pelo Estado. Enquanto isso, o "resto" consegue lecionar sem ao menos ter terminado a graduação. E ainda, vejam só, esses contratados por apenas um ano são chamados na metade do mês de fevereiro, quando os professores concursados estão nas escolas participando do planejamento. Sim, esses novos professores são jogados nas salas de aula em cima da hora, sem ao menos conhecer a Política Pedagógica da Escola. Será que o Estado quer economizar ao contratá-los na metade do mês? Provavelmente. E quem pagará por esse desleixo? Os alunos, claro.

Enquanto o país não investir seriamente em Educação Pública, permaneceremos conquistando essas terríveis colocações nos mais diversos rankings educacionais, além do povo, o que deveria ser o mais beneficiado, permanecer "burro", indo à escola apenas para passar o tempo, ao invés de aprender a pensar. E aí alunos, querem ir embora para Finlândia?

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Não tem mais bobo no futebol?!

Fim da primeira rodada no grupo do Cruzeiro. Em Belo Horizonte: Cruzeiro 3x0 Real Potosí (Bolívia). Em Caracas: Caracas 2x0 San Lorenzo.

Essa frase do título vocês já devem ter ouvido. Ficou famosa após os tropeços da seleção canarinho. Mas ela não pode ser usada como desculpa para o péssimo desempenho dos times brasileiros quando jogam fora de casa pelos torneios Sulamericanos. Os Argentinos do San Lorenzo, do recém-contratado camisa 10 D´Alessandro, jogou muito mal ontem, e perderam para o limitado time venezuelano (sou do tempo em que esses times só apanhavam, tanto dentro como fora de casa).

Na capital mineira, o Cruzeiro não precisou se esforçar muito. Venceu por fáceis 3x0. Poderia ter sido mais, se tivesse com a pontaria em dia! Marcelo Moreno, Ramires e Guilherme deram alegria para a nação celeste!

Em Tacna, no Peru, o Flamengo não jogou bem e empatou em 0x0 com o fortíssimo (!) Coronel Bolognesi. Obina perdeu um gol feito no fim do jogo.

Levando-se em conta a tradição de brasileiros e argentinos, podemos considerar como zebra esses resultados. Mas há os que acham que "não existem mais bobos no futebol", bem... esses considerarão normais esses resultados. Eu não acredito nisso. Temos (times brasileiros) que nos impor, não apenas em casa, mas principalmente fora, afinal, tempos camisa, e isso conta numa competição tão difícil e importante como a Libertadores da América.

Próximo jogo do Cruzeiro será complicado, contra o San Lorenzo lá na Argentina. Um empate pode ser considerado bom resultado, tendo em vista o adversário.

Vamos lá Cruzeirão! Rumo ao Tri!!!

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

A farra dos cartões.

Há algumas semanas atrás o povo brasileiro ficou chocado com mais um escândalo de corrupção com a farra dos cartões de crédito corporativos, que deveriam ser utilizados apenas pelos mais altos funcionários do Governo Federal em casos de emergência. Bem, na verdade acredito que não houve um choque tão grande, já que (infelizmente) estamos acostumados a esse tipo de notícia. A corrupção está enraizada em nossos sistemas.

Voltando aos cartões, o que vimos, após algumas investigações por parte da imprensa, foi o uso indevido desse mecanismo, criado para que fossem adquiridos com mais facilidade alguns tipos de serviços emergenciais. Mas, o que os recibos da ex-ministra da Igualdade Racial (Matilde Ribeiro )mostraram, foram gastos exorbitantes em serviços não tão urgentes, como R$460 em um Free Shop! Só no ano passado, foram R$171 mil gastos pela ex-ministra. Um funcionário ligado direto ao Palácio da Alvorada (João Henrique de Souza) gastou R$115 mil em compras para o presidente e sua família, incluindo no açougue mais caro de Brasília, casas de bebidas, supermercados... Quem mais utilizou desse cartão desde 2003, início do governo petista. Clever Pereira Fialho já gastou inacreditáveis R$2,4 milhões!!!

Obviamente a oposição quis abrir uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), mas foi surpreendida pelos altos gastos do governo tucano no estado de São Paulo. E como bem disse Clóvis Rossi em sua coluna de ontem (10/02/2008) na Folha de S. Paulo, "...tucanos e lulopetistas fazem o mais indigente Fla-Flu da história política brasileira, um duelo que se vai repetir agora nas prometidas CPIs dos cartões de um e outro lado, como se tratasse de apurar quem é o mais corrupto. Sim, porque o abuso no uso dos cartões é corrupção e até o plástico de que eles são feitos sabe que o abuso é decorrência de uma cultura política profundamente apodrecida." Ou seja, não existem santos.

Quando estava na oposição, o PT era o paladino da ética, o único partido capaz de "transformar o país". O que vimos após esses 5 anos de governo foram escândalos e mais escândalos (vide Mensalão), além da lentidão nas prometidas reformas tributárias. Mas isso é assunto para outro artigo.

A sociedade não pode mais tolerar essa corrupção que atrasa nosso país. Somente com sua ação, seja em protestos ou nas urnas, poderemos expurgar toda podridão que governa a nação, para que possamos enxergar a luz no fim do túnel.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Rumo ao Tri!

Como hoje é domingo, falarei sobre o famoso esporte bretão, o mais popular do planeta!

O Cruzeiro iniciou sua caminhada rumo ao Tri-Campeonato da Taça Libertadores da América (vencedor nos anos de 1976 e 1997). Passou com certa facilidade pelo frágil Cerro Porteño do Paraguai, na fase preliminar. Os investimentos foram poucos, e de pouco renome. O atacante Marcel, por exemplo, não é nem o décimo 'matador' dos sonhos da torcida celeste. O mesmo pode-se dizer sobre a escolha de nosso técnico: Adílson Batista.

O ex-zagueiro foi uma aposta da diretoria celeste, já que este é jovem e possui pouca experiência profissional. Teve algumas boas passagens por times menores, se deu bem em alguns estaduais, mas nada além disso. A desconfiança é enorme! Para minha surpresa, ele começou bem. Claro, levando-se em conta os frágeis adversários enfrentados até o momento. Mas, pelo menos já podemos observar algumas melhoras, principalmente no setor defensivo. Particularmente não gosto de jogar com três volantes, mas acredito que essa seja uma boa opção no momento, devido à fragilidade de nossos zagueiros. O grande destaque do início do ano vai para o volante Ramires, de apenas 20 anos. Chegou como incógnita do Joinville no ano passado, e conquistou a torcida, mesclando raça e boa técnica, transformando-se na alma do meio-campo. No ataque, temos os jovens Marcelo Moreno (boliviano) e a promessa Guilherme, que ainda é muito jovem e é uma jóia a ser lapidada. Não pode ser jogado na fogueira, pois possui pouca experiência. Acredito que precisamos de mais experiência, tanto na zaga, quanto no meio e no ataque. Mais três jogadores assim seriam muito bem vindos para ajudar o time.

O nível dos times sulamericanos não é dos maiores. O Boca Juniores é o principal favorito, não apenas por ser o atual campeão, mas por possuir um craque no elenco: Riquelme, um dos melhores jogadores do mundo na atualidade. O Cruzeiro precisava de um jogador com essas características de camisa 10. Wágner é um bom jogador, mas inexperiente. Espero que não sinta a pressão desse torneio. O São Paulo tem bons jogadores, mas o técnico está mudando demais o time em relação ao ano passado. O entrosamento pode vir com o tempo. Mas, nunca é demais lembrar: como costuma dizer o grande Tostão, em torneios curtos, tempo não é algo que possa ser desperdiçado. Muricy precisa arrumar logo a casa, se quiser chegar ao Tetra. O Flamengo não deve passar das oitavas, como no ano passado. Santos e Fluminense também devem fazer figuração.

Quarta-feira é pra valer, contra os bolivianos do Real Potosí. O time é fraco, e espera-se uma boa vitória do time celeste. É tudo o que a torcida quer. Já são quatro vitórias seguidas nos primeiros quatro jogos do ano. Que venha a quinta, e que seja um bom jogo!

Vamos lá Cruzeirão, rumo ao Tri!

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Educação já!

Educação parece uma palavra que refere-se apenas ao fato de uma pessoa recebê-la em casa, para que possa "demonstrá-la" fora dela. Mas é muito mais do que isso. Uma nação só consegue alcançar um amplo desenvolvimento se investir, e muito, nessa palavra chamada "educação".

Após a II Guerra Mundial, nações como Alemanha e Japão estavam arrasadas. A infra-estrutura desses países foi para o brejo graças aos bombardeios. Somente com alto investimento elas puderam se reestruturar e caminhar rumo ao desenvolvimento. Hoje, são exemplos a serem seguidos. O mesmo pode-se dizer sobre a Coréia do Sul, nação que ficou em situação terrível após a Guerra da Coréia. Mas, com altíssimo e um sério investimento em educação, hoje transformou-se em uma nação desenvolvida, com qualidade de vida invejável.

Infelizmente, no Brasil, a educação básica (e pública) nunca foi levada à sério por nossos governantes. A corrupção, ineficiência da máquina pública, falta de interesse fez com que a escola fosse praticamente à falência. A partir das décadas de 1960 e 1970, o alto investimento nas universidades públicas em detrimento das escolas básicas contribuiu mais ainda para retardar e desenvolvimento do país. Nos anos 1990, houve uma tentativa válida de ampliação das escolas, com objetivo de levar a educação para todos. Claro que não alcançou todo mundo, mas foi algo importante. O objetivo agora é qualificar essas escolas, fazer com que os alunos saiam com conhecimento, pois de nada adianta um diploma, se a pessoa sai de lá sabendo apenas um pouco mais do que quando entrou. Precisa sair sabendo, e muito, pois só assim teremos capacidade de nos desenvolvermos.

Eu considero a educação como um tripé, com a responsabilidade divida entre três partes: escola, pais e alunos. Todas precisam estar em sintonia, pois os objetivos são os mesmos. Se uma delas falhar, todo o trabalho e esforço feito pelas outras partes estarão comprometidos. A escola precisa criar mecanismos para aprendizagem. Os pais devem cobrar e participar de todo o processo. E os alunos devem levar a sério e estudar, pois são os mais interessados (ou pelo menos deveriam ser). Sempre é bom lembrar que de nada adianta esperar "de mão beijada", que o governo faça tudo. As pessoas precisam entender que muitas coisas devem ser feitas por conta própria, e que nada cai do céu.

Que venha 2008. O ano letivo começará em breve. Bom trabalho a todos!