Não que eu seja amigo do rei (na verdade a Finlândia é uma República, mas não poderia perder a piadinha...), mas pelo fato da nobre profissão de Educador ser tão respeitada. O prestígio é tão grande, que é a carreira mais desejada pelos estudantes do Ensino Médio. Estaria louco, este que escreve?! Não... felizmente não.
A partir dos anos 1970, houve um investimento muito grande em educação na pequena nação escandinava. 99% das escolas são públicas, e 100% dos professores do Ensino Fundamental possuem mestrado. Sim, é um pré-requisito para quem deseja seguir a profissão. Esse investimento não serve apenas para aumentar o salário dos mestres (que é de US$31,785 - média anual), mas para que sejam muito bem preparados para a arte de ensinar. O reflexo disso está no resultado obtido pelo país na última avaliação feita pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em 2006: 1° lugar geral (1° em Ciências e Matemática e 2° em Leitura). Sim, o Brasil participou dessa avaliação, e ocupou essas honrosas colocações: 52° em Ciências, 53° em Matemática e 48° em Leitura, entre 57 países participantes. Na Finlândia, os alunos permanecem muito mais tempo em sala, estudando em média 6,5 horas por dia. E o gasto público em Educação alcança 6,1% do PIB, contra 3,9% no Brasil.
Por falar em Brasil... aqui, podemos dizer que não existe Política Pública para Educação. Menos de 50% dos professores são concursados, enquanto a maioria leciona por meio de contratos temporários. O que tem de mal nisso, alguém poderia perguntar. Acontece que apenas os professores concursados participam das reciclagens, das especializações oferecidas pelo Estado. Enquanto isso, o "resto" consegue lecionar sem ao menos ter terminado a graduação. E ainda, vejam só, esses contratados por apenas um ano são chamados na metade do mês de fevereiro, quando os professores concursados estão nas escolas participando do planejamento. Sim, esses novos professores são jogados nas salas de aula em cima da hora, sem ao menos conhecer a Política Pedagógica da Escola. Será que o Estado quer economizar ao contratá-los na metade do mês? Provavelmente. E quem pagará por esse desleixo? Os alunos, claro.
Enquanto o país não investir seriamente em Educação Pública, permaneceremos conquistando essas terríveis colocações nos mais diversos rankings educacionais, além do povo, o que deveria ser o mais beneficiado, permanecer "burro", indo à escola apenas para passar o tempo, ao invés de aprender a pensar. E aí alunos, querem ir embora para Finlândia?
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
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